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Como lidar com o tão falado Terrible Two? - Parte I
Por Supermamy 21/08/2017 16:57 Comentários

Comportamento agressivo, gritos, choros incontroláveis, birras, atitude desafiadora… E tudo isso, aparentemente, de forma exagerada. Estes sinais te parecem familiares?

Se você já passou pelo tão falado (e temido) Terrible Two, certamente reconheceu algumas dessas características - ou todas elas.

Conhecida também como a adolescência infantil, essa é uma fase pela qual as crianças passam entre os 2 e 3 anos de idade. Como conta Ana Paranzini: “é nesse estágio da vida que a criança se reconhece como uma exploradora. Ela se arrisca mais. E, por ser assim, ela quer ver tudo o que está ao redor dela. Quando isso não é possível, vem a desobediência”.

Ana é mestre em psicologia e idealizadora do programa Adeus Birras e Orientação de Pais. Especialista em auxiliar famílias na educação dos filhos, ela é a convidada especial da Supermamy para falar sobre esse tema tão presente em nossas vidas. (Obrigada por aceitar nosso convite, Ana!)

O terrible two é o período dos nãos, do desafio - aquele quando, mesmo os pais dizendo que aquilo que não deve ou não pode ser feito, a criança persiste. E como lidar com ele? Qual a postura certa que os adultos devem adotar?

A psicóloga acredita que o principal é que os responsáveis pelo menor conheçam as características do desenvolvimento infantil: “costumo dizer que investimos tanto em formação profissional (estudamos, fazemos graduação, entramos na pós, vamos atrás de cursos para adquirir habilidades diferentes), e, no quesito educação dos filhos, as famílias acabam não se envolvendo e não investindo”, explica. “É essencial conhecer sobre os aspectos do desenvolvimento das crianças para saber como agir diante dessas situações de conflito”.

O fato de a criança estar ou não na escola aos 2 anos de idade influencia em algo nessa crise?

Ana esclarece que, quando a criança vai para a escola, ela é inserida em um ambiente social. Nele, ela terá que aprender as regras de convivência e a desenvolver habilidades pró-sociais, como compartilhar algumas coisas com os colegas.

“Eu acredito muito que a escola é um ambiente completamente extraordinário para o desenvolvimento de potencialidades sociais - e não só acadêmicas”, explica.

Na visão da especialista, 70% da importância do contexto escolar para a criança é no aspecto social. Os outros 30% dizerem respeito ao acadêmico. Esse último, inclusive, é melhor desenvolvido quando o lado social é bem trabalhado.

Tendo essas características em vista, Ana defende que os pais devem escolher uma escola cujos profissionais são capacitados para lidar com aquela faixa etária específica, já que há diversas particularidades em cada etapa do desenvolvimento da criança. Além de, claro, estabelecer regras.

Mas, nessa idade, a criança consegue entender limites e restrições?

“Sem sombra de dúvidas, a criança já tem entendimento de mundo na fase em questão”, afirma Ana. E sabe como podemos perceber isso? “É só dizer ‘não’ que o pequeno já olha para você”, completa.

No caso dos bebês que ainda não falam, apesar de não terem o verbal desenvolvido e não entenderem exatamente o que os adultos estão querendo lhes dizer, eles assimilam o tom de voz e a forma como as pessoas falam.

“Com isso em mente, desde que o bebê nasce, ele pode ser apresentado aos limites e à rotina. A criança vem pronta para ser amada e amar, mas ela vem sem requisitos de como se comportar no mundo também”, explica a psicóloga.

Os responsáveis por ensiná-la esses modos de comportamento são os pais ou aqueles que cuidam da criança - isso acontece desde os primeiros contatos. Por isso, há tantas pessoas que dizem que os bebês são como esponjas, absorvem tudo do ambiente no qual estão inseridos.

Ana ainda fala sobre uma outra questão: as crianças são egocêntricas por natureza, no sentido de precisar que façam tudo por ela - por uma questão de sobrevivência mesmo.

Jean Piaget, biólogo e psicólogo considerado um dos maiores pensadores do século XX diz que “o egocentrismo infantil é essencialmente um fenômeno de indiferenciação: confusão do ponto de vista próprio com o de outrem, ou da ação das coisas e das pessoas com a própria atividade”.

“O resultado disso é que elas crescem achando que o mundo gira ao redor delas e que as vontades pessoais têm que ser satisfeitas sempre. É justamente aí que devem entrar os limites e as regras”, conclui nossa entrevistada.

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