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Terrible Two: como trabalhar o emocional das crianças? - Parte II
Por Supermamy 29/08/2017 14:12 Comentários

Uma das principais características da crise dos dois anos são as birras. Em um primeiro momento, elas parecem exageradas ou mesmo sem motivo. É como se a criança estivesse tomando tal atitude só para chamar a atenção alheia e causar constrangimentos aos pais. Mas você já parou para pensar que isso pode ser, na verdade, sinal de um importante aspecto emocional?

Apesar de ser uma temática pouco explorada, os sentimentos e emoções da infância são essenciais para a constituição daquele ser enquanto sujeito. E quantos de nós ouvimos com real interesse o que os pequenos estão sentindo? Quantas vezes, no ápice de uma situação estressante, paramos para nos colocar no lugar daquela criança?

Ana Paranzini, psicóloga especialista em orientação de pais e que já conversou com a Supermamy sobre o Terrible Two, é enfática ao dizer que ‘’a criança aprende sobre os sentimentos por meio do outro - ela não nasce sabendo que o que ela está sentindo é dor, saudade, tristeza ou alegria. O outro é quem nomeará para ela”.

Por isso, a importância de um adulto que a ajude a entender o que se passa em seu coração. Se sabemos o que estamos sentindo e o porquê sentimos, conseguimos ter maior controle sobre nossas reações. E, para os pequenos, a lógica é a mesma.

Ana explica que há duas formas de ensinar as crianças a lidarem com seus sentimentos:

A primeira é falar sobre eles perto das crianças. Não nomear só o que ela está sentindo, mas o que se passa no coração do adulto também.

“Vamos imaginar a seguinte situação”, convida Ana. "Os pais vão viajar por alguns dias e deixam o filho com alguém de confiança. Durante esse tempo fora, o ideal é que, ao telefonar para falar com a criança, a mãe ou o pai diga a ela o que está se passando”.

Como? “Filho, a mamãe está com tantas saudades! Sinto sua falta. Às vezes, isso me dá até vontade de chorar, sabia? Nós também choramos quando estamos longe de alguém que amamos”.

O segundo ponto essencial é não menosprezar o sentimento da criança. 

Para isso, a psicóloga sugere pensar em outra história: “Em um domingo família, o pequeno vai correr no quintal com os primos. De repente, tropeça e cai. O pai, lá da cozinha, fala rapidinho “não foi nada, levanta e vai brincar!”. Está errado. A criança caiu, o que lhe causou uma sensação física. Quem disse que ela não está sentindo dor?”.

Como ela não sabe dar nome aos bois, é o adulto quem tem a capacidade de ajudá-la a definir que aquela sensação ruim chama-se dor - e ela geralmente aparece quando levamos um tombo.

Partindo desse princípio, é fácil reconhecer a necessidade de que as pessoas daquele ambiente cheguem perto da criança no chão e digam algo como “nossa, fulano, deve estar doendo, né?”. É claro que, se realmente não houver nenhum machucado, esse mesmo adulto pode incentivá-la a continuar brincando. O importante é que ela saiba que a queda provoca algo chamado dor - e que essa dor pode passar rapidinho assim que ela voltar a correr com os primos.

Ana ainda ressalta um terceiro aspecto, a impotância da empatia - esse capacidade de se colocar no lugar do outro para tentar compreendê-lo emocionalmente.

Imaginemos uma terceira história: o pai sai para trabalhar e, ao fechar a porta da casa, a criança começa a chorar. Uma atitude comum é tirá-la da sala, distraí-la com outra atividade qualquer ou apenas ignorar e iniciar um novo assunto. Tais posturas podem até surtir efeito momentaneamente, mas não são ideais.

“O que costumo recomendar”, diz Ana, “é que a mãe (ou o adulto que ficou com a criança em casa) abaixe-se na altura dela e diga “poxa, filho, eu sei que você está triste, porque o papai não ficará com a gente durante o dia todo. O nome disso que você está sentindo é saudades! Mas deixe eu te contar uma coisa: assim que o papai voltar, essa sensação ruim acaba”.

Nesse caso, o que a mãe fez foi pegar um comportamento público (o choro) para explicar um desconforto interno (a saudade). É como explicar para a criança que há coisas que se passam dentro da gente que, muitas vezes, têm que sair para fora. Mas que isso acontece com todo mundo e é normal - o principal é que ela saiba que pode contar com o colo e a compreensão daqueles que a cuidam. E também que, em breve, esse sentimento ruim será substituído por um melhor, como a alegria.

“Essa atitude mostra aos pequenos que os adultos o entendem e estão lá para ajudá-los também nesses momentos”, explica a especialista. Além de, claro, ensiná-los a serem empáticos - o que será de extrema importância para que essa criança faça amigos e conviva de maneira saudável com eles.

 

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