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Preparando-se para o parto normal: o que você precisa saber sobre os exercícios físicos?
Por Supermamy 19/09/2017 16:11 Comentários

É verdade que opiniões e constatações mudam ao longo do tempo, certo? O avanço da ciência nos permite evoluir nesse aspecto. No que diz respeito à gestação, essa máxima também é válida.

Felizmente, podemos contar com diversos profissionais da saúde engajados em obter informações que realmente favoreçam à mãe e ao bebê. Lembra-se de quando nossas avós nos diziam que “grávida deve comer por dois”? Já foi desmistificado. “Grávida não pode deitar de bruços”, também já caiu por terra. “Gestante não pode coçar a pele, porque facilita o surgimento de estrias”, foi igualmente desmentido.

Todas essas questões estão, direta ou indiretamente, relacionadas a uma gestação saudável. E, além de alimentação adequada, acompanhamento médico, cuidados básicos, outro fator deve ter a atenção das mães: os exercícios físicos.

Convidamos Thalita Freitas, fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher, para conversar conosco sobre preparação física para o parto, cuidados com exercícios corporais, posição indicadas e fisiologia do corpo feminino.

Confira a entrevista abaixo :) Lembrando que dúvidas e sugestões são sempre bem-vindas, combinado? Só deixá-las aqui nos comentários.

1) Falando puramente na questão fisiológica do corpo feminino. Toda mulher pode ter um parto normal?

O corpo de toda mulher se prepara durante a gestação inteira para o momento do nascimento. Diversas alterações fisiológicas e biomecânicas ocorrem para possibilitar a passagem do bebê pelo canal de parto. A impossibilidade de um parto normal está geralmente ligada às condições patológicas ou anatômicas.

2) Vamos partir da premissa de que a gestante deseja muito o parto normal e optou por ele. Há alguma preparação física específica que estimule esse tipo de parto?

Com certeza! É possível “treinar” o corpo da gestante para um parto normal utilizando técnicas e exercícios específicos. São eles que irão favorecer que as estruturas mais exigidas neste momento estejam preparadas para tal demanda. O profissional mais indicado para desenvolver esse trabalho é o fisioterapeuta especialista em obstetrícia, pois ele irá levar em consideração todas as adaptações fisiológicas sofridas durante a gestação e no parto.

3) E quais exercícios podem ser feitos?

Como dito anteriormente, recomendo o suporte de um profissional especializado. Há alguns recursos utilizados pela fisioterapia, tais como:

- Exercícios respiratórios;
- Alongamentos e técnicas de relaxamento para prevenir dores e incômodos;
- Desenvolvimento da conscientização corporal para cada etapa do trabalho de parto;
- Treino de movimentos da pelve que facilitam descida do bebê e aceleram o trabalho de parto;
- Prevenção de disfunções do assoalho pélvico (períneo) com massagem e exercícios, que aumentam a elasticidade da musculatura (muito exigida durante o parto).

4) Você comentou do assoalho pélvico. Quais são os músculos do corpo mais exigidos durante um parto normal? De que maneira a mulher pode prepará-los?

Durante o parto, a exigência corporal é muito grande. Os músculos do assoalho participam de forma mais ativa, pois integram o canal de parto. Durante o período expulsivo, esses músculos se distendem para facilitar a saída do bebê. Alguns equipamentos e técnicas podem ser utilizados visando aumentar a elasticidade vaginal nas semanas finais da gravidez, o que irá auxiliar, por exemplo, a evitar a episiotomia, reduzir danos na musculatura, diminuir o risco de prolapso genital e incontinência no pós-parto.

5) Sobre essa fase da expulsão do bebê: a posição da mulher pode influenciar e/ou ajudar no processo?

O posicionamento correto da mãe pode acelerar o trabalho de parto e reduzir o desconforto das contrações, pois favorece a descida do bebê, diminuindo a pressão em áreas específicas e o esforço muscular desnecessário. Infelizmente, ainda hoje, a posição mais utilizada na hora da retirada do bebê é com a mulher deitada de barriga para cima.

Embora essa posição permita à equipe o acesso mais fácil à região pélvica, ela é prejudicial por muitas razões. A principal é que o canal por onde o bebê tem que passar fica até 30% menor. Além disso, o canal do nascimento é efetivamente colocado em uma orientação de “subida”, forçando a mãe a empurrar contra a gravidade para expulsar o bebê, dificultando a passagem.

As posturas que favorecem a saída do bebê são aquelas mais verticalizadas (como sentada, de cócoras ou ajoelhada), pois contam com o auxílio da gravidade. Além disso, a mobilidade articular da região da pelve aumenta nessas posições, e isso beneficia o encaixe e descida do bebê.

 

Sobre Thalita Freitas: Fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), atuante na clínica Athali Fisioterapia Pélvica Funcional, na área de reabilitação dos músculos do assoalho pélvico e obstetrícia.

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